Quanto custa uma publi? O problema das propostas absurdas no marketing de influĂȘncia
- Allan Casagrande
- 27 de out. de 2025
- 3 min de leitura
Por que pagar R$800 por um criador Ă© desrespeitoso â e destrĂłi o prĂłprio mercado.
Quando o absurdo vira rotina
Nos Ășltimos meses, multiplicaram-se casos de marcas e agĂȘncias oferecendo valores indefensĂĄveis para criadores de conteĂșdo. Propostas que tratam o trabalho de um influenciador como se fosse mĂŁo de obra barata e descartĂĄvel, como se produzir conteĂșdo de qualidade fosse algo que se faz em cinco minutos e sem custo.
De gigantes da telefonia a marcas de bebidas, hå quem ofereça R$500 ou R$800 por campanhas que exigem roteiro, gravação, edição, publicação e até impulsionamento.
Tudo isso â em troca de quase nada.
O que estĂĄ acontecendo com o mercado
à uma distorção que vem se tornando estrutural.
Marcas que gastam milhĂ”es em campanhas com celebridades sĂŁo as mesmas que oferecem valores irrisĂłrios a micro e mĂ©dios influenciadores â justamente os que mantĂȘm a credibilidade e a influĂȘncia genuĂna sobre pĂșblicos segmentados.
O resultado Ă© um mercado cada vez mais frĂĄgil, onde profissionais qualificados desistem e as campanhas perdem autenticidade.
Essa Ă© a essĂȘncia do problema: o marketing de influĂȘncia sĂł funciona quando hĂĄ respeito e valorização.
Vamos fazer as contas: o custo real de um criador
Antes de julgar um orçamento, é preciso lembrar o que um criador entrega:
Roteiro e conceituação da ideia.
Gravação, edição e finalização.
Publicação para uma audiĂȘncia qualificada.
Reputação e credibilidade colocadas em jogo.
Aqueles R$800 âpropostosâ nĂŁo cobrem nem a diĂĄria de um videomaker, muito menos o esforço criativo e o alcance real de um conteĂșdo autĂȘntico.
Quem paga esse valor por um criador estå desrespeitando um profissional multifuncional que entrega conceito, performance e confiança em uma só entrega.
O absurdo das propostas indefensĂĄveis: uma hipocrisia silenciosa
As mesmas marcas que exigem qualidade, storytelling, engajamento e performance sĂŁo as que negociam valores incompatĂveis com qualquer expectativa realista.
Essa hipocrisia corrĂłi o ecossistema.
Desvaloriza nĂŁo sĂł o criador, mas o prĂłprio marketing de influĂȘncia â que depende da integridade das relaçÔes entre marcas, profissionais e audiĂȘncia.
O resultado são campanhas genéricas, desconectadas da cultura, e um mercado cada vez menos sustentåvel.
Um problema estrutural que precisa ser enfrentado
Esse comportamento nĂŁo Ă© pontual â Ă© um reflexo de como ainda se enxerga o trabalho criativo no Brasil: como algo âcomplementarâ e nĂŁo central Ă estratĂ©gia de marca.
Mas Ă© preciso romper com essa mentalidade. Precisamos educar as marcas e agĂȘncias sobre o real valor da influĂȘncia e defender condiçÔes justas para quem faz o ecossistema girar.
Criadores, independentemente do tamanho da base, merecem remuneração proporcional ao valor que entregam â e nĂŁo a uma tabela desinformada.
O que marcas e agĂȘncias precisam entender
Se vocĂȘ trabalha com marketing, pense: VocĂȘ contrataria um videomaker, roteirista, editor ou veĂculo de mĂdia por R$800? EntĂŁo por que espera isso de um influenciador?
O trabalho de influĂȘncia Ă© um trabalho estratĂ©gico, criativo e tĂ©cnico, que exige tempo, repertĂłrio e responsabilidade.
O mĂnimo que o mercado precisa fazer Ă© respeitar quem entrega valor real.
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